Há lugares que são mais do que um pedaço de terra, e sim, espaços onde histórias foram construídas, amizades nasceram, craques foram revelados e a paixão pelo futebol se transformou em parte da memória de uma cidade, e em Barretos, um desses lugares está prestes a desaparecer.
O Estádio Paulo Francisco dos Reis, tradicional campo da Associação Desportiva da Polícia Militar (ADPM), será demolido para dar lugar à abertura de ruas e a novas edificações, e com o fim do espaço físico, desaparece também um dos cenários mais importantes da história do futebol varzeano barretense.
O estádio recebeu o nome de Paulo Francisco dos Reis, o conhecido Paulinho, policial militar da reserva que dedicou muitos anos à segurança pública de Barretos, e além da carreira na Polícia Militar, Paulinho também vestiu a camisa da ADPM e ajudou a construir a história da associação dentro e fora das quatro linhas.
Durante décadas, o campo foi ponto de encontro de jogadores, dirigentes, torcedores e famílias e aos finais de semana a bola rolava e o local ganhava vida com os tradicionais jogos do futebol varzeano e outros torneios.
Ali foram disputadas partidas marcantes, decisões, clássicos e confrontos que permanecem vivos na lembrança de quem acompanhou o futebol amador da cidade, agora, porém, o cenário é outro, pois a área onde funcionava a sede regional da ADPM foi comercializada para terceiros, encerrando as atividades da associação naquele endereço.
Com a negociação do imóvel, o campo de futebol, que por tantos anos fez parte da paisagem esportiva de Barretos, também deixará de existir, contudo, a equipe de futebol da ADPM, uma das mais tradicionais do futebol varzeano, continua em atividade e segue disputando o campeonato e, atualmente, seus jogos são realizados na Arena LVF.
A camisa permanece, a história continua sendo escrita, mas o endereço que por tantos anos serviu de casa para o clube ficará apenas na memória, em uma amostra do progresso mudando a paisagem e, ao mesmo tempo, apagando referências que pareciam eternas.
A demolição do Estádio Paulo Francisco dos Reis não representa apenas o fim de um campo, mas a despedida de uma época, dos dias de jogos com gritos das torcidas, dos jogadores que entravam em campo movidos pela paixão e dos encontros que faziam do futebol varzeano muito mais do que uma simples competição.
As ruas e as novas construções ocuparão o espaço onde um dia as redes balançaram e onde tantos sonhos foram alimentados, o concreto dará lugar ao gramado, e o movimento dos veículos substituirá o barulho das arquibancadas e dos torcedores, porém, uma coisa que nenhuma obra consegue demolir: a memória.
O Estádio Paulo Francisco dos Reis deixará de existir fisicamente, mas continuará vivo nas lembranças daqueles que jogaram, torceram, trabalharam ou simplesmente passaram por aquele campo, e a história da ADPM, construída ao longo de tantos anos, seguirá sendo contada pelas novas gerações.
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