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21/03/2012 - Mazinho Dias concede entrevista ao Cidade Aberta, confira !!!

CIDADE ABERTA - O que o trouxe ao meio da comunicao? Rdio, jornal, tv... como que isso tudo se iniciou em sua vida?
MAZINHO DIAS - Meu comeo foi como colaborador no Jornal de Barretos. Isso se deu porque certa vez eu discordei do contedo que havia sido publicado na pgina de esportes e liguei reclamando.
Transferiram a ligao para o diretor do jornal que, aps me ouvir, pediu para que eu fosse at l.
Quando cheguei, ele perguntou o que tinha de errado na matria e, ento, apontei os erros. Da, ele perguntou se eu seria capaz de fazer melhor do que aquilo. Se eu tinha acabado de dizer que estava errado, como poderia responder que no seria capaz de fazer algo melhor do que o errado? (risos).
Da, ento, o diretor pediu para que eu fizesse, a ttulo de colaborao, uma matria sobre o assunto. Fiz, mandei e publicaram. Depois, mandei mais algumas e todas foram publicadas, mas, depois, parei de mandar, pensei que poderia estar enchendo o saco com aquelas matrias.
Dias depois, o diretor me ligou perguntando porque eu tinha parado e me incentivando a continuar, o que eu fiz.
Tempos depois, em uma tarde de sbado, o diretor me ligou novamente perguntando se eu no tinha o interesse de ir para o rdio, transmitir futebol, eu aceitei e logo fui efetivado como funcionrio da emissora e do jornal.

CIDADE ABERTA - Rdio, jornal, tv... qual destes veculos o emociona, o instiga mais? Qual deles voc faz com mais prazer? Porque?
MAZINHO DIAS - O radio super dinmico e, dentro daquele dinamismo, fico muito a vontade pelo raciocnio, que ainda est rpido, e pelo improviso facilitado. Foi no rdio que eu iniciei a construo da minha historia profissional, por isso tenho uma queda por este tipo de veculo.
A TV a mulher bonita que todo mundo cobia, mas que quase ningum conquista, mais difcil chegar l, por razes bvias, ela exigente porque trabalha com imagem, exige postura, porm, mais do que isso, ela tambm exige raciocnio rpido, desembarao e a tranquilidade que muitas vezes falta a algumas pessoas do setor, por exemplo quando o entrevistado deixa um vcuo no assunto. No rdio voc chama uma vinheta, sobe a trilha, enfim d um drible. Na televiso voc no tem este recurso.
Sendo assim, eu, particularmente, entendo que para ter facilidade em trabalhar na TV necessrio ter tido um bom aprendizado no rdio, sob pena de no dar certo, o que, ento, faz da TV um veculo mais instigante.

CIDADE ABERTA - Voc sempre foi um aficionado do esporte. O que mais o atrai nesse universo?
MAZINHO DIAS - Sempre fui ligado em esportes, sobretudo em futebol. Quando garoto eu no tinha condies de comprar os jornais esportivos, ento, eu ia todo dia a casa de um vizinho buscar a Gazeta Esportiva do dia anterior, pois, a, ele j tinha terminado de ler. Tambm assistia a todos os programas de esporte da poca, de modo que um time contratava um jogador cedo e a tarde eu j sabia tudo sobre ele.

CIDADE ABERTA - Focando no futebol: voc acha que o amador ainda preserva mais a essncia do esporte? O foco no dinheiro pode ter descaracterizado um pouco a emoo no profissional?
MAZINHO DIAS - No amador mudou o sabor, mas no deixou de ter essncia, portanto ele ainda mantm, sim, o esprito romntico natural do amador, no com o romantismo de antes, mas de forma semelhante a maioria dos casamentos de hoje; um amor que precisa ser alimentado, mantido com o lado econmico estvel.

CIDADE ABERTA - O que voc mudaria no futebol, hoje?
MAZINHO DIAS - No futebol amador de Barretos? Liberava para jogar quem quisesse independente de onde reside e no obrigaria as equipes a ter que assinar um determinado nmero de jogadores abaixo de 21 anos.

CIDADE ABERTA - Como ser crtico e incisivo no universo do futebol amador de Barretos e, ainda assim, preservar o respeito de todos? Qual a sua mgica? Ou ser que existe por a uma rusgazinha ou outra?
MAZINHO DIAS - caminhar sempre em uma estrada em que as pessoas oscilam entre concordar e discordar de voc. Na maioria das discordncias, as pessoas do nfase apenas ao lado passional do futebol, abrem mo da razo, deixam de enxergar os prprios erros ou os erros de sua equipe.
Ter coragem de dizer a elas que, na sua opinio, elas no esto certas, ou dizer que elas tem razo, embora no estejam sendo compreendidas, ou at dizer que realmente elas esto com a razo e voc errado, a receita certa para conquistar o respeito, ou seja; ser franco, verdadeiro e nunca deixar de emitir a sua opinio, as vezes, sai muito caro, mas com certeza a receita para se obter respeito.

CIDADE ABERTA - Temos exemplos de clubes de cidades mdias a pequenas, como o Bragantino, que alaram vos importantes no cenrio do futebol nacional. Porque o Barretos no decola para um vo dessa envergadura? Voc acha que, por exemplo, a performance do Bragantino, numa determinada poca, pode ter sido circunstancial? Conjuntural? Ou possvel tal conquista a partir de um projeto tcnico e profissional bem definido?
MAZINHO DIAS - O Bragantino ainda vive um grande momento dentro do futebol, embora, hoje, j no seja mais um candidato ao titulo como era no inicio dos anos 90, mas o que levou o Bragantino a um patamar jamais alcanado em Barretos? O investimento no esporte e um excelente trabalho nos bastidores.
Em 1965, ano do famoso "Trem da fome", o Barretos disputou, no Pacaembu, a final contra o Bragantino, perdendo o acesso por causa de um gol de Helio Burini. De l pra c, o Barretos no passou disso, chegando, no mximo, apenas a igualar esse feito de 65. J o Bragantino subiu at a condio de vice campeo do Brasil, perdendo a final para o So Paulo, mas, isso, graas a investimento no setor, massificao de que o bom para a cidade uma equipe profissional forte e no apenas competitiva, alm de fora nos bastidores. Tanta fora que um de seus presidentes (Nabi Abi Chedid) chegou a condio de presidente da federao Paulista e vice presidente da CBF.
E ns? O quanto investimos de 1965 pra c no futebol profissional e em bastidores? Nada.

CIDADE ABERTA - Qual a principal qualidade e qual o principal defeito do BEC, hoje?
MAZINHO DIAS - Qualidade: uma torcida fantica que, quando um jogo bem divulgado, comparece em nmero de 10 mil torcedores ou mais, o que rarssimo nos dias do atual futebol do interior do Brasil
Defeito: a atual equipe tem dificuldades no seu setor defensivo e, tambm, para agredir o adversrio, principalmente quando joga em casa. Se tomar um gol primeiro que o adversrio, tende a se desestabilizar.

CIDADE ABERTA - Porque a vrzea no alimenta, no serve de celeiro para o time profissional do BEC? Dizem que, essencialmente, outro futebol... verdade?
MAZINHO DIAS - Futebol de vrzea extremamente diferente do futebol profissional, porm a vrzea o inicio, l que surgem os jogadores. O grande problema que, em Barretos, a vrzea competitiva, tem 2 rdios, TV, 2 jornais dirios e outros tantos semanais que cobrem a competio, fazendo com que o atleta, muitas vezes, opte pela comodidade de ganhar sem precisar treinar, sem precisar abrir mo da vida profissional que j tem para se aventurar no futebol, e, muitas vezes, quando o atleta pensa em se voltar para o profissional, a idade dele j no ajuda mais, pois no profissional voc tem que comear muito cedo.
No se permite mais surgir para o futebol profissional com 21 ou 22 anos: tem que ser bem antes.

CIDADE ABERTA - Fale um pouco da sua trajetria no rdio... conquistas, decepes, angstias, realizaes... micos!!!!
MAZINHO DIAS - A primeira vez que participei de uma jornada esportiva foi uma tragdia, deu tudo errado. Foi em um jogo entre Camares e Bom Jesus, no campo do Rocho. Eu tinha sido convidado para atuar como comentarista e, minutos antes do jogo comear, veio o comunicado da emissora que a reprter da poca estava demitida e que seria eu quem deveria fazer a funo.
Alm da minha inexperincia, era um jogo quente, torcida invadindo o campo, tapando a minha viso e tumultuando. Tanto foi que, quando o gol saiu, eu no vi, porque tinha um garoto pisando no fio do meu retorno e, depois de gritar "gooooool", o narrador queria que eu contasse o que s eu vi. Poxa, a nica coisa que vi foi um pentelho pisando no fio do meu retorno (risos).
Depois de alguns meses atuando em jogos da vrzea, recebi o convite para ir, no domingo a tarde, transmitir um jogo do Barretos, junto com o Carlos Domarascki. Poxa, ele era a grande fera, eu sabia que ele era exigente e sabia que aquela era a minha chance de me efetivar na equipe profissional.
O jogo foi Barretos e Jabaquara. Vitria do Barretos por 4 a 0. O tcnico do Jabaquara era o Barbiroto, que foi goleiro do So Paulo. Nem acreditei quando fui entrevistar o cara que eu, quando garoto, ficava assistindo pela televiso e que, na minha mente, fazia parte de um mundo diferente do meu. Nesse jogo, dei tudo de mim, me entreguei de corpo e alma e acho at que fui bem.
No final, na hora de ir embora, perguntei ao Doma como foi e ele (que dificilmente faz um elogio, porque muito exigente e sabe muito mesmo) respondeu seco: - "Legal".
Pensei: "J era, o cara no gostou".
Mas, quando eu estava quase deixando o estdio, ele perguntou o que eu ia fazer no prximo domingo, eufrico, disse que nada, claro (o que era mentira), ento ele disse pra eu no fazer compromisso porque iria com ele para So Paulo, trabalhar na transmisso de outro jogo. Isso me fez vibrar por dentro, claro.
Ficou combinado que viajaramos para So Paulo, no sbado, as 17 horas. Minha mala ficou pronta desde as 13 (risos). Mas, quando o relgio marcou 16 horas, meu telefone tocou: era o Doma dizendo que, por questes de cortes na verba, ele teria que cortar uma pessoa da equipe que iria viajar. Decepcionado, me remoendo de decepo, ainda assim, respondi que estava tudo bem. Mas, ento, ele emendou: "Por isso eu tive que cortar o outro cara" (risos).
Da para a frente, me tornei o reprter nmero um da equipe de esportes da Rdio Jornal, acumulando alegrias, tristezas, conquistas pessoais (em 2000 fui eleito por Carlos Domarascki a revelao do Rdio Esportivo Barretense nos ltimos 20 anos).
Agora, micos? Nossa !!! o ltimo foi elogiar um diretor por levar seu netinho no campo...e no era neto, era filho (risos).

CIDADE ABERTA - Como se deu a transio para a TV?
MAZINHO DIAS - O Eduardo Tamashiro acompanhava e gostava do meu trabalho na rdio e, no inicio do ano, quando ele foi para a televiso trabalhar com o Marco Lago, eles tiveram a ideia de criar outro programa de esportes, alm daquele que j existia com o Paulo Maia (com quem tenho uma tima relao) e contrataram o Leandro Joaquim.
Depois, eles entenderam que o programa deveria ser apresentado por uma dupla e no solo. Ento, o Tamashiro me ligou, num sbado, a tarde, convidando para uma reunio no domingo, isso com o programa agendado para estrear na segunda-feira. Nem tive tempo para pensar, apenas para responder. Topei e, hoje, j se vo 15 meses no ar.
Hoje, apresento o programa sozinho porque o Leandro Joaquim, grande garoto, foi pinado para o departamento de jornalismo.

CIDADE ABERTA - Os problemas externos relacionados ao domnio da TV enquanto negcio abalaram vocs, que fazem o barco navegar? Como? Porque?
MAZINHO DIAS - No abalaram, pelo contrrio, fortaleceram. Acabou aproximando, gerando um clima familiar entre aqueles que passaram por todas as turbulncias. Por razes pessoais, e eu respeito todas elas, alguns optaram por sair no meio do caminho, mas quem ficou, hoje, sente orgulho em ter contribudo para superar todas aquelas dificuldades que, na verdade, em certo nvel ainda existem, mas que so administradas com muita competncia por aqueles que comandam a TV atualmente.
No gosto quando vejo, principalmente pessoas da nossa rea, criticar a TV Barretos sem nenhum conhecimento de suas dificuldades, de suas aflies. E, quer saber? Tem gente que faz crtica a emissora, mas que, na verdade, morre de vontade de um dia receber o convite para trabalhar l.
Nos momentos difceis, ouvi piadinhas at sobre funcionrios que trabalharam com salrios atrasados. Isso, hoje, passou e ningum pode negar que a direo da emissora tem honrado com seus compromissos. Acabou que aqueles que, antes, faziam piadinhas no comentam sobre o atual bom momento. Claro, no tenho dvidas de que no passa de dor de cotovelo. Tanta dor de cotovelo que, se teve gente que, em prol da TV, chegou a trabalhar com salrios atrasados, mas acabou saindo, com certeza eles, hoje, trabalhariam de graa, s para satisfazer seus egos. Mas, tem uma coisa: cad a competncia?
No admito que se fale mal da TV Barretos por duas razes: primeiro, a melhor empresa do mundo a empresa que eu trabalho; segundo, ela um dos maiores patrimnios da minha cidade, precisa mais?

CIDADE ABERTA - Voc tem um estilo, principalmente na TV, de certo modo agressivo... isso j te causou problemas? Conte.
MAZINHO DIAS - No acho que eu tenha um estilo agressivo. No rdio, sim, talvez eu seja um pouco mais enrgico, por assim dizer. Mas no classifico isso como estilo agressivo... as pessoas at classificam como polmico; isso eu at acho que sou mesmo.
Problemas? J tive no sentido de ter que enfrentar situaes em que algum no concordou com o que eu falei e veio tomar satisfaes. J discuti, no ar, com tcnicos, jogadores e presidentes do Barretos. J ocorreu isso tambm na vrzea, mas nunca passou disso e espero que seja eternamente assim.

CIDADE ABERTA - Voc feliz na sua profisso, no exerccio do seu ofcio?
MAZINHO DIAS - Eu tenho toda a felicidade do mundo em exercer a minha profisso, primeiro, porque amo o que fao, segundo, porque vivo cercado de excelentes profissionais, com os quais aprendo todos os dias e, por fim, me desculpe a imodstia, sou o nico profissional de comunicao neste momento que atua no rdio, no jornal, na televiso e na internet. Por isso tenho s que agradecer a Deus, as pessoas que acompanham o meu trabalho, aos meus colegas de trabalho e aos diretores destes veculos de comunicao.

CIDADE ABERTA - Voc aconselharia um garota ou uma garota a seguir essa trilha profissional?
MAZINHO DIAS - Claro, se o que quer, se o que gosta, deve ir fundo mesmo. Mas no espere facilidades e que coisas venham a cair do cu, porque preciso matar um leo por dia para poder chegar l e, todos os dias, antes de matar este leo, voc toma uma surra dele que voc quem quase morre.

CIDADE ABERTA - Qual o seu grande desafio profissional, hoje?
MAZINHO DIAS - A cerca de 15 meses atrs, o meu grande desafio foi conseguir na televiso as mesmas conquistas que eu j tinha no rdio. Hoje, o grande desafio me manter e, se possvel, aumentar as minhas audincias no rdio e, principalmente, na televiso. Outra questo, que no desafio, mas sim um sonho, ter uma oportunidade de trabalhar em uma transmisso de futebol em uma grande emissora de So Paulo. Sonho em ter uma nica chance l, mas, por enquanto, isso s um sonho.

CIDADE ABERTA - Deixe uma mensagem para os nossos leitores.
MAZINHO DIAS - Quero agradecer a vocs pela oportunidade de me expressar aqui. Tambm quero agradecer a cada leitor que se interessou em acompanhar a entrevista e aproveito para ressaltar que o acompanhamento de todos os barretenses em torno do meu trabalho o meu maior incentivo para seguir em frente.
Obrigado a todos, do fundo do meu corao, pela companhia diria no rdio e na televiso. Que Deus nos ilumine, sempre.

http://www.cidadeaberta.net/entrevista/8/mazinho-dias-a-fera-da-comunicacao-esportiva-de-barretos


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