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29/09/2011 - Especial: Jogo faz Brasil esconder fato de agosto de 1969

Na foto o escrete das eliminatórias em 1969. Em pé: Carlos Alberto Torres, Joel Camargo, Felix, Djalma Dias, Wilson Piazza e Rildo. Agachados: Nocaute Jack (massagista), Jairzinho, Gérson, Tostão, Pelé, Edu e Mário Américo (massagista).




31 de agosto de 1969.


Jogo faz Brasil esconder fato de agosto de 1969

Um dia que um jogo escondeu até a noitinha o que tinha acontecido pela madrugada. O presidente Costa e Silva tinha tido uma embolia cerebral, e o caso estava sobre sigilo, mas corria a noticia que ele tinha falecido. Nesse dia um domingo tinha ido a Radio Jovem Pan visitar meu amigo Kalil Filho que apresentava o show da manhã.

Logo ao chegar no estúdio, Kalil tinha dito que o presidente Costa e Silva tinha falecido e a mulher que dirigia a agencia "Voz do Brasil" disse que não era para divulgar, até segunda ordem.

Estávamos na expectativa de novas noticias que não vinha, nisso aparece no estúdio o senhor Paulo Machado de Carvalho, então perguntei doutor: Doutor Paulo, será que é por causa do jogo Brasil x Paraguai, que não pode ser divulgada a morte do presidente? Ele disse que provavelmente seria esse o motivo. Mas a tarde a agencia nacional divulgou que o presidente tinha tido uma embolia e seria substituído por uma junta militar.


Brasil 1, Paraguai 0



Rio de Janeiro, 31 de agosto de 1969.


Amigos, o Maracanã nunca esteve tão cheio. Diante de impressionantes 183.341 pagantes*, a Seleção Brasileira e o Paraguai entraram em campo hoje pela última rodada do Grupo 2 das eliminatórias da Copa do Mundo. A multidão se espremia nas arquibancadas, gerais e cadeiras, disposta a tudo para ver e apoiar o escrete tupiniquim. Mais do que nunca, escorria gente pelas paredes do Estádio Mário Filho.


Vencemos por 1 a 0, gol do Rei Pelé, aos 23 minutos do segundo tempo. Cabe aqui a descrição detalhada do sagrado lance: o paraguaio Rojas lançou a bola na área brasileira, e Djalma Dias cortou, soberano, de cabeça. A bola sobrou para Gérson, que imediatamente a passou a Rildo. Este arrancou pela esquerda, e lançou a pelota a Edu, que driblou um oponente, invadiu a área e mandou a bomba de canhota. O goleiro paraguaio Oscar Aguilera só conseguiu espalmar, e Pelé chutou furiosamente. E então se ouviu o ensurdecedor urro da platéia colossal: GOL!

Assim encerramos a bela campanha das eliminatórias, com seis vitórias em seis jogos, 23 gols-pró e 2 gols-contra. O escrete de João Saldanha** vai ao México com muita moral, em busca do tricampeonato, que significará a posse definitiva da Taça Jules Rimet.


*Até hoje, é o maior público da história do futebol mundial.

**O treinador João Saldanha acabaria sendo substituído por Zagallo antes da viagem ao México.



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