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04/03/2011 - Conheça a carreira de Xande, que pode ser o supervisor do BEC 2011

Por: Edwellington Villa, São Jose do Rio Preto
Na foto da capa Xande Marques exibe a coleção de camisas dos times por onde jogou. Foram 14 clubes em 12 anos de carreira



Na foto da matéira Xande teve a honra de jogar ao lado de Zico, maior ídolo da história do Flamengo. Na foto, o time que enfrentou o Criciúma pelo Brasileirão de 1988. De pé: Zé Carlos, Aldair, Dario Pereyra, Delacir, Xande e Leonardo; Sérgio Araújo, Lico, Bebeto, Zico e Zinho




Defender o Flamengo, o clube de maior torcida do Brasil, é um privilégio para poucos. Dá para contar nos dedos o número de jogadores da região que alcançou tal façanha durante a carreira. O meia Marco Antônio Boiadeiro, o goleiro Paulo César Borges, o zagueiro Ronaldão, que é de São Bernardo do Campo, mas começou no Rio Preto, são alguns desses exemplos, lembrados sem esforço de memória. Outro atleta singular neste aspecto é o rio-pretense Alexandre Fusco Marques. Como a maioria dos garotos entre 10 e 13 anos, Xande fazia planos de se tornar jogador de futebol, mas nunca imaginou que pudesse atuar num clube de ponta. Nascido em 9 de janeiro de 1967, ele deu os primeiros chutes no dentinho do Monte Líbano, comandado por Joãozinho de Cayres. "Foi onde tive uma boa base sobre fundamentos." Em 1984, Pedro Favarini e Amauri Buchala, diretores do América, o viram em ação pelo infantil do Monte Líbano e o levaram para o Rubro. "Percebi que tinha condição e passei a encarar com mais seriedade", descreve. Disputou o Paulista Sub-20 e destacou-se na Taça São Paulo de 1986, quando o América terminou em quarto lugar.

Chamou a atenção do técnico Borba Filho, que o promoveu para o profissional. Estreou na derrota de 2 a 0 para o Corinthians, dia 16 de fevereiro de 1986, no Torneio Início do Paulistão. Os primeiros 90 minutos foram contra o São Paulo, no Morumbi, nove dias depois. Com personalidade, ajudou o Vermelhinho a trazer um empate de 1 a 1. Em janeiro de 1988, foi vice-campeão da Taça São Paulo. Na final, derrota por 3 a 0 para o Nacional da Capital. Titular absoluto, fez um Paulistão impecável, a ponto de ser cobiçado por São Paulo, Grêmio de Porto Alegre, Palmeiras e Guarani. Fizeram propostas pelo empréstimo, mas Benedito Teixeira só o liberava em definitivo. Birigüi também recusou Cz$ 1,5 milhão do Catanduvense pela cessão de quatro meses. Pediu Cz$ 3 milhões. As boas atuações lhe renderam a convocação do técnico Jair Pereira para defender a seleção paulista no Campeonato Brasileiro de Seleções. O time bandeirante também contou com o goleiro Zeti, os meias Neto e Lino, o ponta-esquerda Sidney, o centroavante Kita, entre outros. Os paulistas ganharam de 2 a 1 do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, e perderam de 1 a 0 para Minas Gerais, nos dias 10 e 14 de agosto de 1988, respectivamente. Quatro dias depois, o Flamengo pagou Cz$ 22 milhões pelo passe dele, em cinco parcelas mensais. O empresário Maurício Salomão levou Cz$ 2 milhões de comissão, como intermediário. Xande ficou com Cz$ 2 milhões e o Rubro levou Cz$ 18 milhões. Apresentou-se ao técnico Candinho e teve a infelicidade de torcer o tornozelo logo no primeiro treino.

Não se intimidou diante de Zico, o maior ídolo da história do Flamengo. O goleiro Zé Carlos, Bebeto, Aldair, Zinho, Leonardo, Luvanor e Dario Pereyra eram algumas das feras que também integravam o elenco. Recuperado e com Jorginho sem contrato, teve uma seqüência de 10 partidas consecutivas na Copa Brasil, atual Brasileirão. Participou do jogo de estréia de Telê Santana como técnico do Rubro-negro, na goleada de 5 a 1 sobre o Guarani, em Campinas, no dia 23 de outubro. Em março de 1989, foi emprestado ao Bangu, do técnico Didi Folha Seca. Disputou o Cariocão. Mesmo jogando improvisado na lateral-esquerda, foi o melhor em campo no empate sem gols com o Botafogo, que depois faturou o título da competição. No ano seguinte, retornou ao América, que pagou Cz$ 100 mil em três parcelas pelo empréstimo até 30 de agosto. Em 1991, disputou o Campeonato Paranaense pelo Operário de Ponta Grossa. Em janeiro do ano seguinte apresentou-se ao Londrina para o Campeonato Brasileiro, sob o comando do técnico Julinho Barcellos.

Campeão alagoano e sobe com o Rubro
Xande obteve o primeiro título de sua carreira em 1992. Foi campeão alagoano pelo CRB. A conquista veio de forma antecipada, com o empate sem gols diante do Capela, no estádio Severiano Gomes, em Pajuçara, quando faltavam duas rodadas para o término do quadrangular final. A equipe de Maceió quebrou um tabu de quatro anos sem levantar uma taça. Na temporada seguinte, a fase continuou boa. Retornou ao América, que terminou em terceiro lugar na Série A-2 e subiu para o Paulistão. Pelo regulamento, os três primeiros subiam. Ferroviária e Novorizontino ficaram com os dois primeiros lugares. Em 1994 jogou o A-2 pelo Paraguaçuense, junto com Narciso e Marcelinho Paraíba. Peregrinou por outros clubes da região como Mirassol, Barretos e Rio Preto. No segundo semestre de 1995 seu destino mudou. Foi para o Remo, ficando três meses sem receber salários. "Me desanimou."

A turbulência continuou. No mês de abril de 1996 chegou ao Marília em meio a uma grave crise financeira. Logo no seu primeiro dia, jogadores fizeram greve por causa do atraso de dois meses dos salários. Também atuou na Caldense (MG) e no Taubaté, onde pendurou a chuteira em 1997. Passou a dar aulas de futebol na Associação Lar de Menores (Alarme) e em escolas municipais e particulares. Formou-se em educação física e encarou outro desafio: ser treinador. Entre 2000 e 2007 trabalhou nas categorias de base do Mirassol. No ano passado, foi auxiliar de Valter Ferreira no Volta Redonda e no Americano. Em março deste ano retornou ao Mirassol para dirigir o júnior (sub-20). Xande mora no jardim Vivendas, em Rio Preto, com a mulher Lígia e os filhos Guilherme e Henrique.

Fichas técnicas:




Guarani - 1
Sérgio Neri; Marquinhos (Marco Aurélio), Vágner Bacharel, Júnior e Albéris; Tosin, Marco Antônio Boiadeiro, Cilinho e Neto; Careca Bianchesi e João Paulo (Barbieri). Técnico: Eli Carlos.


Flamengo - 5
Zé Carlos; Xande, Aldair, Dario Pereyra e Leonardo (Paulo César); Delacir, Luvanor e Zico; Sérgio Araújo, Alcindo e Zinho. Técnico: Telê Santana.

Gols: Neto a 1 e Sérgio Araújo aos 35 minutos do primeiro tempo. Zico aos 10, Alcindo aos 27, Aldair aos 31 e Zinho aos 42 minutos do segundo tempo. Árbitro: Nei Andrade Nunes Maia (BA). Renda: Cz$ 7.032.000,00. Público: 13.317 torcedores. Local: estádio Brinco de Ouro, em Campinas, domingo, dia 23/10/1988, pela 9ª rodada do primeiro turno da Copa Brasil (atual Brasileirão).
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Botafogo - 0
Ricardo Cruz; Josimar, Wilson Gottardo, Mauro Galvão e Marquinhos; Carlos Alberto (Mazolinha), Vitor, Luisinho e Paulinho Criciúma; Maurício e Jeferson (Gustavo). Técnico: Valdir Espinosa.


Bangu - 0
Palmieri; Jaílton, Márcio Rossini, Eduardo e Xande; Edson Souza, Israel (Léo) e Zé Ricardo; Julinho, Serrano e Macula. Técnico: Didi.

Árbitro: Pedro Carlos Bregalda (RJ). Expulsão: Zé Ricardo.
Renda: NCz$ 214.328,00. Público: 45.207 pagantes. Local: Maracanã, no Rio de Janeiro, sábado, 10 de junho de 1989, pelo Campeonato Carioca.
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Rio Preto - 2
Mica; Valdecir, Tetila, Douglas e Menoni (Antônio Carlos); Xande, Gilberto Pereira, Amaral e Marquinhos; Cássio Mariano e Lisandro (Adenílson). Técnico: Noriva.


Santo André - 0
Hugo (Adilson); Tadeu (Marcos Paulo), João Marcelo, Aguinaldo Liz e Biro Biro; Preta (Toninho Cajuru), Dourado, Jorginho e Nenê (Ronaldo Alfredo); Gilson Batata e Claudinho. Técnico: Sérgio Ramirez.

Gols: Xande (pênalti) aos 30 minutos do primeiro tempo e Marquinhos aos 18 minutos do segundo tempo Árbitro: Antônio Cláudio Perin. Renda: R$ 1.713,00. Público: 346 pagantes. Local: Riopretão, domingo, 12 de março de 1995, pela 3ª rodada do Campeonato Paulista A-2.
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São Paulo - 1
Oliveira; Zé Teodoro, Fonseca, Márcio Araújo e Nelsinho; Eder Taino (Freitas), Bernardo e Pita; Manu, Pianelli e Renatinho. Técnico: Cilinho.


América - 1
Roberto Costa; Xande, Orlando Fumaça, Roberto Fonseca e Daniel; Paulo Cezar Catanoce, Serrano e Toninho; Izael, Luis Fernando Gaúcho (Dito Siqueira) e Mazzola (Vagner Palamin). Técnico: Borba Filho.

Gols: Dito Siqueira aos 3 e Manu aos 16 minutos do segundo tempo. Árbitro: Romualdo Arpi Filho. Renda: Cz$ 107.810.000,00. Público: 4.580 pagantes. Local: Morumbi, em São Paulo, quinta-feira, 25/2/1986, pelo primeiro turno do Paulistão, na estréia de Xande no time profissional do América.
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São Caetano - 0
Anselmo; Zé Carlos, Cléber (Fabinho), Tobias e Carlinhos Echaporã; Rodnei, Luis Carlos, Garcia e Cocan; China e Reginaldo. Técnico: Fedato.


América - 4
Willians; Xande, Renato Carioca, Roberto Fonseca e Julimar; Negão, Roberto Alves, Cleomar e Clóvis; Cléber Arado e Cacaio. Técnico: João Carlos Costa.

Gols: Cléber aos 40 segundos e Roberto Alves aos 43 minutos do primeiro tempo. Roberto Fonseca aos 25 e Cacaio aos 32 minutos do segundo tempo. Árbitro: Antônio de Pádua Salles. Renda: Cr$ 46.530.000,00. Público: não obtido. Local: estádio Anacleto Campanella, em São Caetano do Sul, domingo, dia 9/5/1993, quando o Rubro conquistou o acesso do A-2 para o Paulistão, na última partida de Xande pelo América




Por Edwellington Villa


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