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09/02/2010 - Lembra dele? Ademilson era líder e curinga

Por Edwellington Villa


Na foto da capa, Ademilson que hoje administra o posto de combustíveis da família, na Vila Maceno ladeado pelos filhos Breno e Bruno (d)


Na foto da capa, tme da Votuporanguense: Sérgio Rosa (fisicultor), Márcio, Donizete, goleiro não identificado, Dema, China, Lázaro, Sabará, Paulo Pancada, Cláudio Craveiro (repórter) e o técnico Marcos Guerra; agachados: Volnei, Ademilson, Valmir Cambalhota, Ronaldo Arcanjo, Mário César, Deca, Chicão e Evans



Como uma dessas preciosidades que surgem raramente, Ademilson foi uma das principais revelações do América no final dos anos 70 e início de 80. Líder por natureza e aplicado taticamente, ele cumpria à risca sua função dentro de campo. Jogava com amor à camisa e sempre exigia o máximo dele próprio e dos companheiros. Certa vez, o time estava mal das pernas no Paulistão de 1987 e Ademilson percebeu um certo corpo mole de alguns companheiros. Pegou o goleiro Marola pelos colarinhos e o encostou na parede do vestiário. "Ou você joga com seriedade ou pede para ir embora", esbravejou. A atitude mexeu com o brio da equipe, que subiu de produção e somou os pontos necessários para evitar o rebaixamento à Segundona. É difícil contar a história do América sem mencionar Ademilson. Afinal, ele participou de campanhas memoráveis entre 1981 e 1987. Esteve no fatídico "jogo da marmelada", contra o XV de Jaú, em 1986, quando as duas equipes se salvaram do descenso ao segurar o 0 a 0, no estádio Mário Alves Mendonça, provocando a queda de Paulista de Jundiaí e Comercial de Ribeirão Preto. Quem pegar os jornais da época verá fotos de Ademilson tirando cadeiras cativas arremessadas ao gramado por torcedores inconformados com a armação do resultado. Após anos de dedicação ao clube, ele recebeu o troféu "Chuteira de Ouro" nas temporadas de 1986 e 1988. A honraria foi instituída pela rádio Independência com o objetivo de premiar os destaques esportivos de Rio Preto. Rio-pretense, Ademilson Fernando Tapparo nasceu no dia 24 de maio de 1960 e começou a jogar futebol como lateral-direito nas categorias de base do Palestra, comandadas por José Militão de Souza Neto. Depois de vê-lo em ação, Pedro Favarini, diretor do departamento Amador do América, o levou para o Rubro.

Chegou à Vila Santa Cruz como lateral-esquerdo no final de 1977, quando o juvenil americano já se preparava para a Copa São Paulo. Mostrou qualidade nos treinos, mas precisou esperar sua vez. Disputou o Campeonato Paulista Júnior (sub-20) de 1978 e foi vice-campeão estadual da mesma categoria no ano seguinte. No início de 1980, a diretoria promoveu vários garotos para o time principal. Além de Ademilson, também subiram o meia Carlos Neves, o centroavante Petróleo, o goleiro Gilmar, entre outros. O técnico Wilson Francisco Alves lançou Ademilson no profissional logo na abertura do Paulistão, dia 11 de maio, Dia das Mães, na vitória apertada por 2 a 1 sobre a Francana. Ademilson foi substituído aos 28 minutos do segundo tempo por Reginaldo, que cinco minutos depois desentendeu-se com Coquinho, da Francana, e os dois foram expulsos. O segundo gol americano foi marcado por Petróleo, aos 41 minutos do segundo tempo. Um mês depois, o técnico Olegário Toloi de Oliveira, o Dudu, convocou Ademilson para defender a Seleção Brasileira Júnior num amistoso contra o Kuwait, na preliminar das seleções principais de Brasil e Polônia, no Morumbi.


Recebeu vaca como salário
Em outubro de 1981, o América emprestou Ademilson por três meses ao Mirassol para disputar a 3ª Copa São Paulo (atual Copa FPF). Na ocasião, aconteceu um fato inusitado. Sem dinheiro, o presidente do clube mirassolense, Paulo Figueiredo, deu uma vaca ao jogador em troca dos três salários. Após o empréstimo, Ademilson retornou ao Rubro. Ficou na reserva em duas temporadas (1981/82) e firmou-se como titular em 1983, improvisado na cabeça-de-área pelo técnico João Avelino. Em agosto de 1986 foi emprestado à Inter de Limeira por Cz$ 50 mil para disputar o Brasileirão. A equipe limeirense acabara de conquistar o título paulista naquela épica final contra o Palmeiras e estava na crista da onda. Voltou ao América no ano seguinte, quando percebeu sua aptidão de goleador. Foi campeão do Torneio José Maria Marin (equivalente à Copa FPF de hoje) como centroavante. Artilheiro do time, só na final ele marcou três gols na vitória de 5 a 2 sobre o São Bento, no Mário Alves Mendonça.

"No América só não joguei no gol. Até de ponta falso eu atuei," diz o polivalente, apelidado de "Burrão" pelo saudoso massagista Antonio Sutto, o Tio Nico. "Ele é um cavalo para treinar, correr e chutar, mas como erra passe", dizia Tio Nico, na época. "A boleirada foi no embalo e o apelido pegou", afirma Ademilson, que ainda jogou na Votuporanguense (1988) e no Mirassol (1989/90), onde pendurou a chuteira. "Os filhos estavam crescendo e o que eu ganhava era insuficiente para sustentar a família." Começou a trabalhar com seu pai, José Tapparo, na produção de cachaça no engenho Celeste, em Mirassol. No início deste ano passou a administrar o posto de combustíveis da família (Engenho Celeste), na Vila Maceno, em Rio Preto. Hoje, nos momentos de folga, curte uma boa pescaria, a mulher, Agueda, e os filhos Bruno, Giovane e Breno.


América 2 x 1 Francana



América
Luís Fernando Calori; Ademilson (Reginaldo), Ailton Silva, Jorge Lima e Berto; Gerson Andreotti, Rota e Marcelo; Marinho, Henrique (Petróleo) e Mazzola. Técnico: Wilson Francisco Alves.


Francana
Geninho; Gaspar, Pavan, Zé Mauro e Cláudio; Marinho, Jean e Reinaldo Coquinho); Antenor, Jurandir e Delém (Poli). Técnico: Daltro Menezes.

Gols: Rota aos 21 minutos do primeiro tempo. Delém aos 6 e Petróleo aos 41 minutos do segundo tempo.
Juiz: Ezequiel Pedroso.
Expulsões: Reginaldo e Coquinho.
Renda: Cr$ 251.890,00.
Público: 3.179 pagantes e 893 menores (total 4.072).
Local: estádio Mário Alves Mendonça, em Rio Preto, domingo, 11 de maio de 1980, Dia das Mães, na primeira rodada do Paulistão, na estréia de Ademilson no time profissional do América.

América 5 x 2 São Bento


América
Marcelo; Brasinha, Manoel Fernando, Roberto Fonseca e Babá; Detti, Fernando (Roberto Neri) e Toninho; Xande, Ademilson e Elias (Maurinho). Técnico: Benedicto Ambrózio.


São Bento
Abelha; Amauri, Geraldo (Pirula), Guinei e Paulo Robson; Jorge, Silva e Celso Bauer; Calharde, Biju (Paulistinha) e Vinicius. Técnico: não obtido.

Gols: Brasinha aos 27, Ademilson aos 31 e Vinicius aos 44 minutos do 1º tempo. Vinicius aos 13, Xande aos 19, Ademilson aos 28 e aos 41 minutos do 2º tempo.
Juiz: Osvaldo Buontempi.
Expulsão: Paulo Robson.
Renda: Cr$ 42,3 mil.
Público: 423 pagantes e 107 menores.
Local: estádio Mário Alves Mendonça em Rio Preto, terça-feira, dia 8 de dezembro de 1987, na final do Torneio José Maria Marin (atual Copa FPF).

América 1 x 1 Corinthians


América
Paulo César Borges; Xande, Eraldo, Roberto Fonseca e Denilson; Ademilson, Serrano (Geraldo) e Zé Roberto; Gil Catanoce (Rômulo), Roberto Carlos e Márcio Florêncio.
Técnico: Zecão.


Corinthians
Carlos; Wilson Mano, Pinella, Dama e Ailton; Márcio Bittencourt, Paulinho, Biro Biro e João Paulo; Edmar e Paulinho Carioca. Técnico:Jair Pereira.

Gols: Roberto Carlos aos 7 e João Paulo aos 28 minutos do segundo tempo.
Juiz: Dalmo Bozzano.
Renda: Cz$ 1.100.700,00.
Público: 3.569 pagantes.
Local: estádio Mário Alves Mendonça, em Rio Preto, sábado, dia 11 de junho de 1988, pela segunda fase do Paulistão, na última partida de Ademilson pelo América contra um time grande.


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