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25/11/2009 - Tunel do tempo: Barbirotto fica 768 minutos sem sofrer gols no América

Por: Edwellington Villa, São Jose do Rio Preto
Na foto: Time do América Equipe que venceu o Noroeste por 2 a 0, dia 7/7/85. De pé: Orlando Fumaça, Catanoce, Brasinha, Roberto, Barbiroto e Cardoso: agachados: Izael, Amado, Serrano, Toninho e Toninho Macedo




Barbirotto ostenta até hoje uma das maiores invencibilidades como goleiro do América. Ele ficou oito jogos e meio sem sofrer gols durante o Paulistão de 1985, totalizando 768 minutos. É uma das melhores marcas do estadual, uma das mais expressivas do Brasil e raridade no futebol atual. O recorde nacional pertence a Jairo, que ficou 1.132 minutos sem ser vazado na meta do Corinthians no Brasileirão de 1978. Os casos mais recentes foram de Rogério Ceni (898 minutos no Brasileirão de 2007) e Renan, do Inter-RS (770, em 2006). Contratado por empréstimo junto ao São Paulo, Antonio Barbeirotti Junior chegou ao Vermelhinho na quinta-feira, 30 de maio de 1985, antes da 5ª rodada do Paulistão. A equipe começou o campeonato com Moacir na posição, na derrota por 3 a 0 para o XV, em Piracicaba; contou com Neto na vitória de 2 a 0 diante da Inter de Limeira; e teve Valô nos 3 a 2 sobre o São Paulo e na goleada de 4 a 0 sofrida em Ribeirão Preto para o Comercial. A diretoria pagou Cr$ 15 milhões pelo empréstimo de sete meses e lhe deu R$ 4 milhões de salários mensais. "Eu ganhava R$ 2 milhões no São Paulo e o Santos me queria, mas ofereceu R$ 1 milhão por mês. A proposta do América foi irrecusável", recorda o ex-goleiro. Valô não aceitou a contratação, discutiu com o técnico Urubatão Calvo Nunes e foi afastado do elenco.

Barbirotto treinou dois dias e estreou no sábado, dia 1 de junho, na vitória por 1 a 0 sobre o São Bento, no estádio Mário Alves Mendonça, gol do rápido ponta-esquerda Mané, vindo do Palmeiras. Na sequência, o América obteve os seguintes resultados: 0 a 0 com o XV, em Jaú (dia 9/6), 1 a 0 no Guarani (12/6), 0 a 0 com a Ponte, em Campinas (15/6), 0 a 0 com o Paulista, em Jundiaí (22/6), 0 a 0 com o Corinthians (29/6), 2 a 0 no Noroeste (7/7) e 0 a 0 com a Portuguesa, no Canindé (13/7). O primeiro gol que ele sofreu ocorreu no triunfo de 4 a 2 contra o Santo André, dia 21 de julho, no estádio Mário Alves Mendonça. Eram decorridos 3 minutos do segundo tempo e o Rubro vencia por 2 a 0, quando o meio-campista Celso cabeceou no ângulo e acabou com sua invencibilidade. "Foi uma campanha maravilhosa", diz. A equipe encerrou o primeiro turno em 4º lugar, com 22 pontos, atrás apenas de Portuguesa, São Paulo e Corinthians. Após o returno, o América ficou em 7º entre os 20 participantes, com 39 pontos. Apesar da pinta de galã, Barbirotto recusou convites de emissoras de TV para participar de programas que falavam sobre beleza. "Vim a Rio Preto para jogar futebol", justificou na época. Ele ainda retornou ao América na temporada de 1989, mas sem o mesmo brilho. "Realmente foram duas passagens distintas. Na primeira até recebi homenagem na Câmara Municipal e na segunda sofri nove gols em três jogos", compara. "Mas o clube também não possuía a mesma estrutura", alfineta.

Inicia no SP e brilha no Catanduvense
Antonio Barbeirotti Junior é paulistano, nascido em 19 de setembro de 1959, e começou a jogar futsal no Palmeiras, aos 12 anos de idade. "Na verdade, o sobrenome da minha família é Barbirotto, mas o meu pai e uma tia (Margarida) foram registrados como Barbeirotti", esclarece. No Palmeiras, o achavam baixo, então resolveu tentar a sorte no futebol de campo do São Paulo. Aprovado, foi campeão paulista da categoria dentão (sub-15). "Peguei um pênalti na final contra a Portuguesa, no campo do Nacional", relembra. Barbirotto manteve um longo vínculo com o Tricolor, porém, nunca teve oportunidade de se firmar como titular. Rodou o Brasil emprestado pela direção são-paulina. Aos 18 anos disputou a Copa São Paulo de Júnior pelo Goiânia. Depois foi vice-campeão goiano pelo time principal do Goiás. Em 1980, foi vice-campeão da Divisão Intermediária (atual Série A-2) pelo Grêmio Catanduvense. Nas finais, a equipe da região foi superada pelo São José, que acabou promovido ao Paulistão. O Grêmio ainda teve a chance de subir numa repescagem contra a Francana, penúltima colocada da Especial (A-1). No entanto, perdeu os dois jogos disputados no Parque Antártica, em São Paulo (4 a 1 e 2 a 1, respectivamente). Barbirotto foi campeão paulista de 1981 pelo São Paulo, como reserva de Valdir Peres. Ele ficou vinculado ao clube do Morumbi até 1985. Neste período, disputou 55 jogos pelo Tricolor e sofreu 53 gols.

Peregrinou por Ferroviário do Ceará, Joinville, Bangu, Bragantino, Ponte Preta e Caxias-RS, quando sofreu uma grave contusão, em 1990. "Estávamos classificados para a fase final do Gauchão e num jogo contra o Inter sofri fratura no crânio num choque com o lateral esquerdo Marques (do Caxias)", relata. "Tenho a parede craniana mais frágil que o normal. Sofri uma parada cardíada e fiquei um ano parado", acrescenta. Fez a recuperação física e técnica no Juventus, com o preparador de goleiros Mococa. Foi para o XV de Piracicaba e ainda disputou o Paulistão de 1993 pelo Noroeste. No final daquele ano, passava férias no Guarujá e recebeu convite do prefeito Valdir Tamburus para trabalhar na secretaria de esportes da cidade. Parou de jogar, mas não conseguiu se afastar do futebol. Foi treinador de goleiros do juvenil (sub-17) do Santos. Na mesma função, também trabalhou no Otsuka e no Kashiwa Reysol, ambos do Japão, Juventude-RS, futebol coreano e São Caetano. "Fui campeão paulista de 2004 pelo São Caetano, com o Muricy Ramalho", destaca. Há três meses vendeu um restaurante que possuía na praia de Astúrias, no Guarujá, e pretende retornar ao futebol. "Quero ser treinador e meu sonho é treinar o América", diz Barbirotto, casado desde 1993 com Vanderléia, a ex-jogadora de vôlei Tatá, do BCN Osasco. Ele mora no Guarujá e incentiva as filhas Karoline e Katherine a praticarem esportes. "Elas adoram judô."


FICHAS TÉCNICAS:




AMÉRICA - 1
Barbirotto; Brasinha, Orlando Fumaça, Roberto Fonseca e Babá; Catanoce, Amado (Claudecir) e Toninho; Izael, Roberto Biônico (Vagner Palamin) e Mané. Técnico: Urubatão Calvo Nunes.


SÃO BENTO - 0
Dorival; Paulinho Pereira, Nildo, Geraldo e Donizete; Cacau, Biquinha (Antonio Carlos) e Viana; Américo, Hamilton e Nivaldo. Técnico: não obtido.

Gol: Mané aos 41 minutos do segundo tempo. Árbitro: Euclides Zamperetti Fiori. Renda: Cr$ 8.351.000,00. Público: 1.707 pagantes. Local: estádio Mário Alves Mendonça, em Rio Preto, sábado, 1 de junho de 1985, pela quinta rodada do Paulistão, na estreia de Barbirotto na equipe americana.
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SÃO PAULO - 1
Barbirotto; Fonseca, Oscar, Dario Pereyra e Nelsinho; Márcio Araújo, Renato Pé Murcho (Casagrande) e Pita; Geraldo, Careca e Sidney. Técnico: Cilinho.


CORINTHIANS - 0
Carlos; Edson Boaro, Juninho Fonseca, Wagner Basílio e Wladimir; Biro Biro, Arturzinho (Dunga) e Zenon; Eduardo Amorim, Lima e João Paulo. Técnico: Jair Picerni.

Gol: Careca aos 42 minutos do segundo tempo. Árbitro: José de Assis Aragão. Renda: Cr$ 120.042.000,00. Público: 35.276 pagantes. Local: Morumbi, em São Paulo, domingo, 14 de outubro de 1984, pelo segundo turno do Campeonato Paulista, com Barbirotto no gol do Tricolor.


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