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06/03/2009 - O Torino nunca mais foi o mesmo

Al, gente! Hoje o meu assunto o futebol italiano. Mais precisamente, o Torino da dcada de quarenta. Uma verdadeira mquina, que venceu cinco scudettos consecutivos de 43 a 49 (em 44 e 45 o campeonato foi suspenso devido Segunda Guerra Mundial). Nesse time montado pelo presidente, e s vezes tcnico, Ferruccio Novo, despontava a figura de Valentino Mazzola, que era mais ou menos o que o Totti hoje para a Roma. "Capitan Mazzola" foi trazido do Venezia juntamente com Ezio Loik (os dois eram meias e ficaram conhecidos como i gemelli veneziani). Da odiada rival Juventus foi trazido Guglielmo Gabetto, centroavante matador que usava o cabelo cheio de brilhantina, la Heleno de Freitas, porm sem ser louco. Os pontas eram Menti e Ferraris II. Em 43 o surpreendente Livorno ficou em segundo lugar.

Mario Rigamonti, que hoje empresta seu nome ao estdio do Brescia, clube que o revelou, gostava de motos e vivia azeitando o motor da sua Benelli. Era o pilar central da linha mdia, formada ainda por Grezar e Eusebio "Zampa di Velluto" Castigliano. O trio final era Bacigalupo, Maroso e Ballarin. Reza a lenda que quando o time estava mal ou comeava perdendo alguma partida, bastava que Mazzola arregaasse as mangas. Era uma espcie de sinal. O time se transformava e comeava o baile. Esse esquadro chegou a ceder dez jogadores para a azzurra. Era o ano de 47, o auge. O nico no filiado ao Torino foi o goleiro Sentimenti IV, em amistoso contra a Hungria.





4 de maio de 1949. Um temporal desabava sobre Torino. Relmpagos iluminavam a escurido quando, ao tentar pousar na cidade, um avio bate na baslica de Superga, espatifando-se e incendiando-se. Na busca por sobreviventes, os moradores perguntavam-se quem estaria a bordo. De onde viriam? De repente algum avista em meio aos destroos uma camisa gren com o scudetto bordado. Desgraa! Era a delegao do Torino, que havia participado de um amistoso em Lisboa e voltava para casa. Ningum sobreviveu. A Itlia parou para reverenciar os seus heris. Era o fim de uma era.

A partir da o Torino nunca mais foi o mesmo. At venceu o campeonato daquele ano utilizando jogadores das categorias de base. Mas, j no ano seguinte, a Juventus retomaria a hegemonia na competio. Hegemonia que permanece at hoje. Os anos vo passando e a torcida granata v com pesar a equipe lutando para no retroceder, ou no mximo tendo um papel secundrio no torneio.

A vida continua, at que chega o ano de 1976. O mundo j era outro. E o Torino volta a brilhar. Tal qual uma fnix, ressurge. Ao empatar em casa com o Cesena em 1 a 1, ao mesmo tempo em que a "Juve" era derrotada em Perugia, o Torino novamente campeo! Pra-quedistas caem sobre o gramado com as cores do scudetto: verde, vermelho e branco. A festa total. Porm, faltava saldar a dvida com aqueles que haviam comeado essa bonita histria. Na noite seguinte uma multido, portando tochas e corbelhas de flores, sobe a colina at a baslica onde "Capitan Mazzola" e seus companheiros haviam perecido. So cinco quilmetros transcorridos a p, por jovens e velhos, aqueles que eram jovens na poca da tragdia. Milhares de almas prestando uma bonita homenagem e proporcionando um momento inesquecvel para quem ama o esporte e os dolos que ele produz.


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