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16/01/2009 - Claudia Malheiros, a primeira técnica de futebol no Brasil


Em 1999 nasceu para o futebol a primeira técnica de uma equipe profissional no Brasil, quando Cláudia Malheiros, na época auxiliar técnica de Ulisses Torres, teve que substituí-lo na beira do campo, devido uma suspensão dos jogos do Vasco. O fato ocorreu durante a participação na Terceira Divisão do Campeonato Brasileiro, após fazer parte da comissão vencedora do Campeonato Estadual Acreano no mesmo ano. "Acabou acontecendo na série C, na vitória sobre o Rio Negro, depois empatamos com o Nacional e vencemos o Castanhal", lembra com saudade do início da carreira, Cláudia. "Foi aí que as pessoas começaram a dizer que eu era pé-quente".

A campanha realizada naquele ano serviu para receber um convite da diretoria do Andirá EC no ano seguinte, em 2000, pelo seu presidente, Marcos Gomes, para ser a treinadora oficial. "O Andirá era tido, na época, como saco de pancadas das outras equipes, mas conseguimos reverter essa situação com a vinda de patrocinadores, salários em dias e os nossos treinamentos eram realizados no campo do Panorama", disse a técnica.

Porém nem tudo havia melhorado, pois para treinar, jogadores e comissão eram levados em caminhão, pegando lama e poeira para treinar no Panorama. "A recompensa veio com a 4ª colocação, sendo que no Segundo Turno só perdemos para o Rio Branco, que veio a ser o campeão Estadual", ressalta Cláudia. "Conseguimos, inclusive, uma goleada sobre a Adesg por 6 a 0".

No ano seguinte, 2001, Cláudia se afastou dos gramados, dedicando mais tempo ao seu trabalho e a família. Seu retorno veio novamente a convite de Marcos Gomes, em 2006, para comandar o Andirá, no ano que também marcava a volta do Morcego, afastado há um ano dos gramados. "Na nossa volta ficamos na 4ª colocação, sendo que tropeçamos em jogos que poderíamos ter vencido, no primeiro e segundo turno", lamenta a técnica.

Para esta temporada, Cláudia Malheiros quer dar continuidade aos trabalhos e tentar o inédito título do Campeonato Estadual para o Morcego, comandando sua equipe na beira do campo, com muita emoção e vibração, características desta técnica acreana. "Eu sou assim mesmo, brigo com os jogadores, rezo, me emociono, mas isso ajuda, pelo menos para mim, pois na beira do campo não dá para mudar muita coisa, é preciso confiar neles", disse.

Um território de homens

Pelo fato de ser a primeira técnica mulher em um território dominado pelos homens, Cláudia Malheiros admite que muitos se surpreendem quando lhe vê na beira do campo, porém ressalta que nunca sentiu, pelo menos de seus jogadores, qualquer traço de machismo ou desrespeito.

"Fui criada no meio de peões, desde muito cedo, então para mim o campo do machismo nunca existiu", lembra a técnica. "É mais complicado para quem está do lado de fora do que mesmo para mim e sobre os jogadores só posso dizer que me dando respeito, vai ter respeito".

Mídia nacional

Uma técnica mulher é um fato que tem atraído a atenção da imprensa nacional, mais enfatizado na temporada de 2006, chegando a ser matérias do Lancenet, entre outras. "Cheguei a dar três entrevistas, houve inclusive a possibilidade de uma emissora nacional fazer uma matéria, mas resisti devido os aspectos", comenta a técnica, lembrando que havia insinuações para levar tudo para o lado da chacota.

"Não posso envolver minha família nesse tipo de coisa, pois fazer palhaçada não foi o motivo que me levou para a beira do campo, o que quero é que o time que comando jogue bem", concluiu.



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