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27/06/2012 - Causos do futebol: Frases que martelam minha cabeça

Na foto o eterno polemico Afonsinho



Estou a um ano de completar 50 anos de profissão!

Isso sem contar o tempo que trabalhei para meu pai na Última Hora, cobrindo jogos de clubes dito pequenos, mas que para mim um estreante, pareciam gigantes.

Os estádios – alguns nos quais joguei totalmente vazios – onde mal cabiam 4 ou 5 mil pessoas pareciam verdadeiros Maracanãs.

Mas foi a partir daí que comecei a colecionar sem querer e sem saber frases ouvidas de personagens aos gritos, chorando, raivosos, sorrindo, ao pé do ouvido – se ouvido tem pé.

Não se espantem, vou tentar situar o tempo dos personagens, os lugares talvez, mas as ocasiões dificilmente.

De Martim Francisco, técnico de futebol, inventor do 4-2-4, dirigindo-se ao lindo balcão do bar dentro de São Januário, e retornando a mesa onde me dava uma entrevista com os olhos mareados::

- O médico me proibiu de beber e é por isso que estou tomando Crush!


Alguns meses depois Martim morreu de cirrose esquecido em alguma cidade de Minas Gerais.

Entrei no bar do outro lado da praça onde está o estádio do Flamengo e dei de cara com Garrincha, que acabava de me dar uma entrevista. Vi o copo em cima do balcão, e constrangido tentei voltar, quando ouvi a voz do meu amigo Mané:

- Vai um gole aí, Michel!

De Afonsinho, o da música de Jorge Benjor, com sua imensa barba e cabelos compridos, saindo de um treino do Santos onde pela primeira vez eu tinha visto cara a cara o grande Jair Rosa Pinto que acabava de ser apresentado como novo técnico do time. Atravessando a rua falei que tinha ficado decepcionado, tinha achado o Jair "meio grosso", no que Afonsinho me respondeu:

- Não seja preconceituoso, Michel. Técnico não precisa ser intelectual, basta entender de futebol!

Do César "Maluco" (desculpa, amigo, eu sei que você não gosta que eu te chame de "maluco") tentando definir o que é um camisa 9 no futebol:

- É um cara que tem que ter (desculpem a expressão, mas foi o que ele disse) "culhões roxos" para encarar os beques de hoje.

De Aurélio Miguel nos Estados Unidos, me abraçando e sussurrando depois de ganhar a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 96.

- Eu sou um bosta, Michel!

- Como – retruquei – 8 anos depois de ganhar o ouro em Seul, você ganha bronze e acha ruim?

- Sou um bosta, Michel. Já ganhei umas 3 vezes do cara para quem perdi agora nas semi-finais. Sabe por quê? Porque sabendo que ganhava dele na hora em que quisesse, me distraí. E ele se aproveitou. Joguei a medalha de ouro fora,


De João Saldanha algum tempo depois de ser demitido da seleção brasileira:

- Eu nunca disse que o Pelé estava cego, não sou maluco!

De Pelé em 1974, subindo a serra de Santos, ao meu lado dentro do meu Chevette azul, em direção à concentração Nicolau Moran, em São Bernardo, na manhã do dia de sua despedida do futebol, contra a Ponte Preta, na Vila Belmiro:

- Tenho que parar, Michel, tenho que parar antes que eles comecem a me dar porrada.

- Ora, Pelé, deixa de bobagem, quem vai ter coragem de bater em você?

Você é o Pelé!

- Já estão batendo, já estão batendo.

De João Saldanha rebatendo uma frase comum na época:

- Quem segura a ditadura não é o futebol… são os canhões!

De João Havelange em uma entrevista a Galvão Bueno:

- Não sinto frio… nem calor… nunca suei em minha vida!

De Zagallo depois da final da Copa de 98, na França:

- O maior jogador do mundo diz que está liberado para jogar! Quem vai o deixar de fora? Não por falta de coragem, mas se você resolve deixá-lo de fora e a seleção perde, o mundo cai sobre você. Tirei o Edmundo e escalei o Ronaldo.

Do técnico Gentil Cardoso depois de uma vitória do Bangu treinado por ele sobre o Flamengo:

- Deu zebra!

Autor: Michel Laurence


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