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20/07/2011 - Os 30 anos do soco de "Anselmo o Vingador"

Na foto da capa, Anselmo soca Mario Soto dentro de campo.
Na foto da matéria, Anselmo que hoje mora em Portugal e trabalha no setor de contabilidade de uma escola, em foto recente.




Inesquecível a festa da vitória após o jogo. O título da Libertadores, com os 2 a 0 sobre o Cobreloa, foi comemorado até alta madrugada nos suntuosos salões de um tradicional hotel no Centro de Montevidéu, onde a delegação rubro-negra estava hospedada. Todos reverenciavam Zico, Tita, Adílio e, sobretudo, Anselmo, um jovem atacante de 22 anos, que entrara no último minuto e acertou um um soco em Mario Soto para vingar as agressões sofridas pelos companheiros no jogo anterior.

Claro que o título da Libertadores e a classificação para a final em Tóquio foram comemorados com muita alegria por todos da delegação. Afinal, o Flamengo atingira sua meta, que era disputar o Mundial Interclubes contra o Liverpool, o campeão europeu.

Além disso, a nação rubro-negra estava de alma lavada pelo nocaute sofrido por Mario Soto. O jovem Anselmo se transformou em herói, tanto que, mesmo suspenso e sem condições de ser escalado contra o Liverpool, ganhou como prêmio o direito de fazer parte da delegação que, semanas depois, viajaria para o Japão - uma prova de que a própria comissão técnica assumia a culpa por aquele ato.

Um show de bola no Estádio Centenário
Mas vamos à conquista rubro-negra. Se no Estádio Nacional, em Santiago, o time mal conseguia pegar na bola, tal a virilidade dos chilenos, em Montevidéu, no Centenário, o show foi completo. O Cobreloa tentou repetir a dose, mas como era campo neutro e o apoio dos torcedores não foi igual ao recebido no Estádio Nacional de Santiago, a equipe dirigida por Paulo César Carpegiani dominou a partida.

Mas só quem estava lá sabe como o soco foi comemorado. Na volta ao Rio, o avião que transportou a delegação rubro-negra trazia os jornais do Rio, que passavam de mão em mão. A todo instante Anselmo tinha o nome gritado. No desembarque mais festa ainda. E o jovem atacante recebeu tratamento de estrela.

Todos sabem que o Flamengo tinha um timaço. Mas os atuais jovens rubro-negros não viram aquela equipe jogar e não fazem idéia da superioridade sobre as demais. Zico era a estrela maior, mas, além do grande craque, havia Leandro, Júnior, Andrade, Adílio, Tita, Nunes e tantos outros jogadores, como Lico.

O soco de Anselmo em Mario Soto não chegou a ser flagrado pela TV. E acrescento: só vi o lance no estádio porque naquela época era raro um treinador substituir um jogador no minuto final e Anselmo parecia nervoso.

Do banco do Flamengo, as pessoas gritavam para ele, apontando o dedo em direção ao campo do Cobreloa. Foi, então, que Anselmo se aproximou de Mario Soto e, diante dele, deferiu-lhe um soco.

Os rubro-negros que estavam no Centenário comemoraram ao ver o chileno caído. Depois, a partida acabou e a festa da vitória se iniciou no vestiário e continuou no hotel. A revolta rubro-negra era imensa, pois na partida em Santiago, vencida pelo Cobreloa por 1 a 0, o que se viu foi uma carnificina, tal a violência dos chilenos, que deram show de deslealdade.

Após o jogo, o corredor do hotel em Santiago, onde a delegação estava concentrada, mais parecia o de um hospital. Lico, por exemplo, tinha extenso corte na orelha. Acabou vetado para a decisão. Adílio, uma ferida no globo ocular e outra no supercílio. A maioria dos jogadores caminhava com dificuldade.

Anselmo liga para casa e leva bronca do pai
Anselmo, que vive em Portugal, não fugiu da responsabilidade:
- O Flamengo exibiu futebol da melhor qualidade. A mim, coube o trabalho sujo e não serve como exemplo. Poderia ser lembrado como artilheiro dos juniores. Sempre fui do bem e acabei conhecido como maluco e brigão. Na volta de Montevidéu, tudo foi festa e quase tive um troço quando vi a faixa da torcida: "Anselmo vingador".

Ele falou ainda sobre o drama que viveu ao entrar em campo para acertar Mario Soto.
- Quando Carpegiani falou para eu entrar, não pensei em nada. Se era certo ou errado. Mas depois tive muito medo, pensei em tudo que poderia acontecer e até de levar uns bons tapas. Nem comemorei em campo. Fiquei deitado na banheira térmica e tremi muito até a galera entrar comemorando. Depois, no hotel, ao telefonar para casa, crente que era o tal, levei a maior bronca do meu pai. Hoje, minha mãe diz que fiquei conhecido pelas mãos e não pelos pés.


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