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Beline: ex volante do Touro do Vale
BARRETOS - Equipe que disputou a Segunda Divisão de 1979. Em pé: Jaime (diretor), Adalberto, Badeco, Beto Prado, Basso, Gato, Renê e Marinho Carvalho (prep Fisico); agachados: Celso Orlandim, Beline, Paulo Cardoso, Carlão, Donizete e o massagista Milton

Brioso, destemido e cheio de gana de vencer. Essas eram as principais características do médio-volante Beline, revelado pelo América na década de 70, com passagem pelo B.E.C em 1979 e que defendeu o Fernandópolis durante oito anos. Ainda atuou Rio Preto, Olímpia e Votuporanguense, nos áureos tempos da acirrada rivalidade entre os clubes da região nas divisões de acesso do Campeonato Paulista. Teve poucas oportunidades entre os profissionais do Rubro, talvez por influência do técnico Urubatão Calvo Nunes, que o considerava rebelde. Nascido em Ida Iolanda, distrito de Nhandeara, no dia 15 de maio de 1957, Dercival Morelato ganhou o apelido de Beline na infância. Nem ele sabe explicar o motivo. "Pode ser porque eu ficava o dia inteiro jogando bola e deveria ter alguma semelhança com o Bellini, capitão da Seleção Brasileira campeã da Copa de 1958", diz.

Em julho de 1979, Uberaba (MG) e Barretos disputaram o jogador. O técnico Cláudio Garcia, que estava no time mineiro, insistiu em sua contratação e lhe prometeu o maior salário do elenco, mas a equipe barretense cobriu a oferta. Hoje, ele se arrepende. "Depois, o Cláudio Garcia foi para o Guarani, Flamengo, Vasco, Arábia Saudita e poderia ter me levado", justifica. Na temporada seguinte foi emprestado ao Rio Preto para disputar a Segunda Divisão. Por divergências com diretores, o técnico Dicão deixou o clube na quarta-feira, 5 de março, quatro dias antes da estréia. O preparador físico Ercílio Brasil Matos comandou a equipe na vitória de 2 a 1 sobre o Rio Claro. Dicão se acertou com os cartolas e retornou ao clube depois da partida.
Beline teve uma carreira sólida e de muitas vitórias, mas só uma coisa o atrapalhou. O temperamento explosivo, que lhe rendeu muitos cartões vermelhos ao longo de suas andanças pelo mundo da bola. Quando defendeu o Rio Preto, por exemplo, foi expulso duas vezes nas quatro primeiras rodadas do Campeonato Paulista da Segunda Divisão de 1980. Foi para o chuveiro mais cedo no empate de 1 a 1 com o Sãocarlense, na segunda rodada, e cumpriu suspensão diante do Independente de Limeira. Voltou diante do Fernandópolis e foi expulso aos 20 minutos do segundo tempo, quando a partida estava empatada em 0 a 0. Com um jogador a menos, o Jacaré não suportou a pressão e perdeu de 2 a 0. Em 1981, o Fernandópolis montou uma filial do América, levando por empréstimo o zagueiro Mauro e os meio-campistas Marcelo e Beline. Os meias Wilson Luiz e Beto Rocha, também vinculados ao Rubro, já estavam no Fefecê. Dois anos depois, a diretoria fernandopolense cedeu ao Vermelhinho os novatos Miro (meia) e Val (ponta-direita), mais uma quantia em dinheiro e ficou com Beline em definitivo.
Em 1990 defendeu a Votuporanguense, comandada pelo técnico Zé Roberto de Oliveira, onde pendurou a chuteira, aos 33 anos. "Fiquei sem rumo quando parei porque a única coisa que sabia fazer era jogar futebol", recorda. Foi acolhido por diretores da Matinha, que lhe ofereceram emprego na Matelrio, empresa de materiais elétricos. Em troca, defendeu o tradicional time amador de Rio Preto. "A equipe tinha vários ex-profissionais, como Valô, Serrano, Cândido, João Paulo e outros. Fomos tetracampeões do Amador de Rio Preto", diz. Beline foi aprovado em concurso público estadual em 1994 e passou a trabalhar como agente de segurança no Instituto Penal Agrícola (IPA) de Rio Preto. Com a mulher, Silvia Gisele, teve as filhas Francine e Cláudia, grávida de Ana Laura, a primeira netinha de Beline, que nascerá em março. A família leva uma vida tranqüila na Vila Boa Esperança, em Rio Preto.


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