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12/08/2010 - Ex-jogadores de futebol tentam aproveitar fama para conquistar votos

Com a bola nos pés, eles arrastaram um séquito de torcedores para os estádios, mas agora que a carreira acabou, tentam trocar o meião e a malha do clube pelo paletó e a gravata. Longe da Copa do Mundo deste ano, astros do futebol planejam transformar torcedores em eleitores para disputar o título de parlamentar nas assembleias e na Câmara dos Deputados. Sem saber muito bem qual é o trabalho de um político, elegem tutores para dar os primeiros passos no Legislativo.

Pré-candidato a deputado federal pelo Rio de Janeiro, o ex-camisa 11 da Seleção Romário é a esperança do PSB fluminense para ampliar a bancada na Câmara. O jogador se filiou ao partido pensando em ficar na Assembléia Legislativa, para não perder a rotina boêmia que tem no Rio de Janeiro, mas o PSB conta com ele para ser o puxador de votos da legenda. Contraditoriamente, a assessoria de Romário, porém, informa que ele não fala de política e assim recusou o pedido de entrevista.

Ex-companheiro de Romário no Vasco e no Flamengo, o atacante Edmundo, conhecido como Animal, também tem pretensões políticas e Filiou-se ao PP.
Do celeiro de candidatos do Vasco também saiu o ex-atacante Valdir Bigode. O ídolo vascaíno dirige atualmente o Campo Grande, da série C fluminense, e pretende conquistar uma vaga na Câmara pelo PTB.

O partido trabalhista tem se especializado em levar celebridades para o universo da política. Além de Valdir, vão disputar cadeiras no legislativo pelo PTB o ex-volante do Corinthians Vampeta e o ex-goleiro do Grêmio Danrlei. O gremista tem o senador Sérgio Zambiasi (PTB-RS) como mentor político. Conta que pede ajuda aos colegas de partido no Rio Grande do Sul para conhecer o trabalho de um representante, mas que precisa aprender muito. "Comecei a conviver com representantes da vida política. Vi que é algo que eu tenho condições de fazer. Não conheço profundamente, pretendo aprender. Tenho humildade." Apesar da rivalidade entre Grêmio e Internacional, o ex-ídolo tricolor afirma que pedirá votos aos colorados. "Eu tenho um carinho muito grande pelo torcedor do Grêmio, mas espero que a torcida adversária me veja com bons olhos."

Estudo
Também no processo de aprendizado está Marcelinho Carioca, pré-candidato a uma vaga na Câmara dos Deputados pelo PSB de São Paulo. O ex-atacante do Corinthians conta que estuda "oito horas por dia" para aprender sobre as correntes históricas da democracia e para conhecer conceitos que explicam a "organização da vida em sociedade". Marcelinho afirma que não é "um aventureiro", mas, apesar de rejeitar o rótulo de ex-jogador para ganhar votos, vai usar o número da camisa que o consagrou no Corinthians nas eleições deste ano: "Meu número vai ser 4007, eu pedi isso ao Márcio França, presidente do partido em São Paulo, e fui atendido".

Já experiente na vida pública, o ex-artilheiro do Botafogo Túlio Maravilha (foto) quer dar voo mais alto e trocar a Câmara Municipal de Goiânia pela Câmara Federal. Túlio orgulha-se de sua atuação como vereador e conta que já sugeriu 70 projetos de lei. Peemedebista, fala com admiração do pré-candidato ao governo de Goiás Iris Rezende (PMDB) e se entusiasma por ter recebido apoio do presidente de seu partido, o deputado Michel Temer (PMDB-SP), para lançar candidatura. "Estive com o Temer e ele se mostrou solidário à minha candidatura. Por meio do futebol tive a oportunidade de conhecer vários políticos."

Aventura
O ex-atacante do Corinthians já tem plataforma de campanha. O mote de Marcelinho será a luta pela escola em tempo integral. A trajetória no esporte, promete, será apenas para se vender como "referência", "um menino pobre que saiu do Rio de Janeiro" e venceu no futebol. O ídolo do Corinthians não gosta de ter sua pré-candidatura comparada à de outros colegas. "Eu não vou aproveitar da fama para ser um político de sucesso. Eu venho de uma vertente diferente, não sou um aventureiro." Ambientado à vida partidária, Marcelinho busca aproximação com nomes fortes de seu partido como o deputado Ciro Gomes (CE) e o presidente da Federação das Indústrias de São Paulo, Paulo Skaf.


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