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23/02/2010 - Luis Fernando Gaúcho, a ‘Patada Atômica’ do América

Por Edwellington Villa


Na foto: AMÉRICA 1980 - Uma das formações do Rubro durante a Taça de Prata. De pé, a partir da esquerda: Ailton Silva, Ademir Gomes, Gerson Andreotti, Mauro, Luiz Fernando Calori e Reginaldo; agachados: Marinho, Rotta, Luis Fernando Gaúcho, Serginho Índio e Mazzola



"Luis Fernando domina de costas pro gol, protege, gira rapidamente para a esquerda, solta a bomba e é goool do América". Locutores esportivos se cansaram de narrar esse tipo de lance pelas ondas das emissoras de Rio Preto. Afinal, foram 42 gols marcados pelo Rubro no Paulistão, só nas edições de 1977 e 1979. A maioria com a jogadinha que ficou manjada. Mas assim como as atuais pedaladas do Robinho, ninguém conseguia desarmá-lo. O centroavante entrou para a história do futebol como um dos maiores goleadores do Vermelhinho rio-pretense em todos tempos e até hoje é lembrado por torcedores saudosistas. "Marquei mais de 120 gols só pelo América. Todos documentados. Fiz mais que Cabinho, Cardoso e outros grandes centroavantes que passaram pelo clube", afirma Luis Fernando. A potência de seu chute de perna esquerda era impressionante. Tanto que chegou a ser chamado de "Patada Atômica" por cronistas da época. Quando ele arrumava para bater de canhota, mesmo de longa distância, a torcida já ficava de pé, com o grito de gol na garganta.

Luis Fernando Trieweiler nasceu em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, no dia 29 de março de 1955. Ainda guri arriscou a sorte como jogador de futebol. A partir de 1973 passou a defender o time juvenil do Internacional de Porto Alegre. Na temporada seguinte foi campeão da Copa São Paulo de Juniores e artilheiro do time gaúcho, com seis gols."Fiz os dois na vitória de 2 a 1 sobre a Portuguesa na final", recorda. Ainda como juvenil, fez parte do elenco bicampeão brasileiro (1975/76) e octacampeão gaúcho pelo Inter. Inclusive, no Brasileiro de 1975, como reserva de Flávio, disputou dois jogos e marcou um gol. Foi convocado pelo técnico Cláudio Coutinho para defender a Seleção Brasileira Sub-20, em 1976. Em janeiro da temporada seguinte, a diretoria colorada queria dar mais experiência a Luis Fernando e propôs uma troca com o Operário (MS). Ofereceu o atacante pelo grandalhão zagueiro Marião, que depois jogou no São Paulo. Estava tudo acertado, mas Luis Fernando melou o negócio. "Não vou jogar no meio do mato. Posso fazer 50 gols que ninguém vai ficar sabendo", justificou. Precisando de um "matador" para o América, o presidente Benedito Teixeira foi buscá-lo em Porto Alegre e conseguiu seu empréstimo gratuito por um ano.

A documentação dele não ficou pronta para a abertura do Paulistão, contra a Portuguesa, dia 6 de fevereiro de 1977, em São Paulo. Resultado: 3 a 0 para a Lusa. Estreou na segunda rodada, diante do XV de Jaú, e mostrou a que veio ao marcar o primeiro gol na vitória por 3 a 0 e ser escolhido o melhor jogador em campo. Terminou o estadual como quarto artilheiro, junto com Enéas, da Portuguesa, com 21 gols. Serginho Chulapa (São Paulo) com 32, foi o principal goleador; seguido por Toninho (Palmeiras) com 26 e Geraldão (Corinthians), 23. No ano seguinte, mais experiente, Luis Fernando voltou ao Inter, mas encontrou como concorrente Mário, ex-Corinthians. Teve poucas oportunidades e em junho de 1979 foi incluído na transação envolvendo o ponta-esquerda Silvinho, revelação do América. Birigüi negociou com Celso Corbellini, diretor do Colorado, que cedeu Luis Fernando em definitivo, por Cr$ 2 milhões, e emprestou por um ano o apoiador Cléo, que também fez sucesso no Rubro.

Naquele ano, o Vermelhinho já contava com o goleiro Luiz Fernando Calori. Para distinguir um do outro, o jeito foi incorporar ao nome do atacante a sua procedência. Passou a ser chamado de Luis Fernando Gaúcho. O complemento fez bem ao "matador". Reestreou em alto estilo ao marcar o segundo gol na vitória por 2 a 0 sobre o Santos, carimbando a faixa do então campeão paulista. Naquele 8 de julho de 1979, mais de 21 mil torcedores se espremeram nas dependências do estádio Mário Alves Mendonça. Retribuiu o carinho da torcida e do clube com gols. Foram 21 e a artilharia isolada do Paulistão de 1979, com cinco de vantagem sobre Rubens Feijão, do Santos. Pela primeira vez na história, um jogador do América alcançou esta façanha. Manteve o mesmo embalo na Taça de Prata. Só contra o Novo Hamburgo, time da sua terra natal, fez dois gols na vitória de 4 a 1. "Em 12 jogos, vencemos 10, empatamos um e perdemos um", relembra.

Assediado por Milan e Nápoli
No auge da carreira de Luis Fernando, o empresário Juan Figger queria levá-lo para o exterior. O América chegou a recusar propostas de US$ 300 mil feitas pelo Milan e pelo Nápoli. De tanto assédio, Birigüi não conseguiu segurá-lo. Acabou vendido ao América do México, que o emprestou aos Los Angeles Aztecs, da Liga Norte-Americana. "Joguei contra o Cosmos de Nova Iorque, que tinha Beckenbauer, Carlos Alberto Torres e outras feras", relata. Ganhava US$ 5 mil por mês (R$ 9.250 pelo câmbio atual). "Hoje, jogador sai do júnior ganhando R$ 20 mil", compara. Em 1982 foi emprestado ao São Paulo, onde ficou seis meses, mas disputou apenas cinco jogos em razão de uma contusão grave que sofreu. Voltou aos Estados Unidos para defender o Tampa Bay, da Flórida.

Dois anos depois, jogou seis meses no Estoril de Portugal e a outra metade do ano esteve no Grêmio. A paixão falou mais alto e em 1985 retornou ao América. Fez uma boa campanha, junto com Barbiroto, Orlando Fumaça, Catanoce, Mané e outros. Permaneceu no Rubro até 1986, quando pendurou a chuteira. Trabalha como vendedor de componentes para calçados (couro, fôrma e sola). Divorciado, Luis Fernando leva uma vida tranqüila em Campo Bom, a 35 km. de Porto Alegre. "Sou americano roxo e embaixador do América no Sul", afirma o goleador, ansioso pela formatura de Júnior, seu único filho, que conclui no final do ano o curso de bacharel em direito.

Fichas técnicas:


América 3 x 0 XV de Jaú


América
Edson; Cleto, Flávio, Jairzão e Luizinho; Nelson Prandi, Wilson Luiz e Marcelo (Cacau); Arlem, Luis Fernando Gaúcho (Serginho Índio) e Iaúca.
Técnico: Carlitos.


XV de Jaú
Ico; Galli, Estevam Soares, Marco Antônio (Olavo) e Lelo; Luiz Dário, Ademir Melo e Sabará; Valdomiro, Navarro e Antônio Carlos. Técnico: Cilinho.

Gols: Luis Fernando Gaúcho aos 16 e Iaúca aos 21 e aos 34 minutos do primeiro tempo.
Juiz: Oscar Scolfaro.
Renda: Cr$ 81 mil.
Público: 4.377 pagantes e 186 menores.
Local: estádio Mário Alves Mendonça, em Rio Preto, quarta-feira, 9/2/1977, pela 2ª rodada do Paulistão, na estréia de Luis Fernando no América.

América 2 x 0 Santos


América
Luiz Fernando Calori; Berto, Mauro, Jorge Lima e Ademir Gomes; Serginho Índio, Paulo Luciano (Arlem) e Marcelo; Marinho, Luis Fernando Gaúcho
(Gerson Andreotti) e Cândido. Técnico: Wilson Francisco Alves, o Capão.


Santos
País; Nelsinho Baptista, Joãozinho, Antônio Carlos e Gilberto Sorriso; Zé Carlos (Célio), Toninho Vieira e Claudinho (Rubens Feijão); Nilton Batata, Juari e João Paulo. Técnico: Chico Formiga.

Gols: Serginho Índio aos 3 minutos do primeiro tempo e Luis Fernando Gaúcho aos 14 minutos do segundo tempo.
Juiz: João Leopoldo Aieta.
Renda: Cr$ 994.880,00.
Público: 19.123 pagantes e 2.038 menores.
Local: estádio Mário Alves Mendonça, em Rio Preto, dia 8/7/1979, pelo 1º turno do Paulistão, na reestréia de Luis Fernando, após retornar do Inter-RS.

América 4 x 0 Novo Hamburgo


América
Paulo Roberto; Álvaro, Luiz Felipe, Paulo Vieira e Túlio; Cleber, Lourival e Eberson (Batará); Itamar, Pinguela (Cabinho) e Passos. Técnico: não obtido.


Novo Hamburgo
Luiz Fernando Calori; Paulinho (Reginaldo), Ailton Silva, Jorge Lima (Mauro) e Ademir Gomes; Gerson Andreotti, Rotta e Serginho Índio; Marinho, Luis Fernando Gaúcho e Mazzola. Técnico: Wilson Francisco Alves, o Capão.

Gols: Luis Fernando Gaúcho aos 8 e Paulo Vieira aos 12 minutos do 1º tempo. Luis Fernando Gaúcho aos 8, Mazzola aos 18 e Marinho aos 30 minutos do segundo tempo.
Juiz: José Carlos Bezerra (SC).
Renda: Cr$ 195 mil.
Público: 2.497 pagantes.
Local: estádio Santa Rosa, em Novo Hamburgo, quarta-feira, 12/3/1980, pelo Grupo G da primeira fase da Taça de Prata (atual Brasileiro da Série B).

Palmeiras 0 x 0 América


Palmeiras
Martorelli; Diogo, Márcio, Vagner Bacharel e Denys; Lino, Mendonça e Edu Manga (Barbosa); Jorginho, Edmar e Eder (Mirandinha). Técnico: José Luis Carbone.


América
Roberto Costa; César, Orlando Fumaça, Roberto Fonseca e Daniel; Ademilson, Dito Siqueira e Serrano; Izael (Xande), Gilson (Luis Fernando Gaúcho) e Emo. Técnico: João Avelino.

Juiz: Flávio de Carvalho.
Renda: Cz$ 452.760,00.
Público: 16.160 pagantes.
Local: Parque Antártica, em São Paulo, dia 6 de agosto de 1986, pelo segundo turno do Paulistão, numa das últimas partidas de Luis Fernando Gaúcho pelo América.


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