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31/08/2009 - O tempo passa: Já se vão 32 anos sem o Grande Batata

Em pé: Darci, Paulo Roberto, Piazza, Moraes, Raul e Vanderlei.
Agachados estão Roberto Batata, Eduardo, Dirceu Lopes, Palhinha e Moacir.




Já se vão 32 anos sem o Grande Batata...Poderia escrever sobre o inicio do Brasileirão, mas, bateu novamente uma enorme saudade desse grande amigo. Fizemos teste no Cruzeiro no mesmo dia. Eu, Roberto Batata e Luiz Fábio, buscávamos a sorte no time da Toca. Atuamos na mesma equipe durante o primeiro treino. Nos primeiros dez minutos, não vi a cor da bola.

Falta a nosso favor foi assinalada próximo à área. Spencer arrumou a bola e partiu para a cobrança. Deslocava-me, saia da marcação, mas ninguém tocava a bola. De repente, uma falta a e antes dele partir para a bola , tomei a frente e bati, fazendo o gol. Foi um silêncio e o Batata veio abraçar-me. Depois desta façanha, eu, Batata e Luiz Fábio nos entrosamos. Mais tarde fomos chamados pelo diretor da categoria de base que, naquela época, eram conhecidas por "categoria inferior". Esse episodio foi o suficiente para eu ganhar a moral que precisava .A partir daí , tivemos uma atuação mais efetiva.

Com isso o diretor nos chamou e questionou a nossa idade. Eu tinha 16 anos, Batatinha estava com 17 e o Luiz Fabio alegou ter 17 anos, (mas na verdade ele tinha 20 anos) e se chamava Ananias. Para passar no teste ele usou a certidão do Luiz Fábio que havia sido reprovado. Ele passou-se por Luz Fábio até 1974, quando a farsa foi descoberta. Essa manobra ainda acontece nos dias atuais e no jargão futebolístico é conhecida como "gato"

Fizemos uma excursão a quatro continentes em 1972, e a missão do técnico Orlando Fantoni era manter o Piazza na zaga e colocar-me no meio campo. O interessante foi que o Batata presenciou o Felício Brandi se aproximar de mim antes do embarque no aeroporto da Pampulha "Toninho, na volta da excursão você será o titular". Eu então respondi: "Muito obrigado, presidente.". Roberto Batata, que estava ao meu lado, ficou perplexo com a declaração do Felício. Nós éramos tão amigos que quando tive uma contusão seria no joelho (torção parcial dos ligamentos) o Batata me levou para sua casa no bairro santa Efigênia, próximo ao campo do América, onde fiquei por dois meses (de gesso) e sendo tratado como um filho pela inesquecível Dona Judith a mãe do Batata.

Éramos amigos e parceiros. Fomos campeões juvenil 1968, tetra campeões-72-73-74-75 e campeões da taça Minas Gerais em 1975. Fui inscrito para Libertadores 76, mas uma contusão me tirou da relação e Silva foi adicionado à lista. Na apresentação do Yustrich ao nosso elenco em 1972, após o nosso retorno da Excursão, o "Homão", como ele era conhecido, dirigiu-se ao Batatinha e disse: "Você gostava de subir no muro do América e me chamar do que mesmo? Batatinha sem graça disse "Zé mingau"... foi uma ótima descontração.
Batata jogou na Seleção mineira, brasileira e sem duvida deixou uma marca de 110 gols. Com 281 partidas jogadas com azul celeste.

No dia 13 de maio de 1976, dois dias após o jogo em Lima, Roberto faleceu. Ele ia visitar sua esposa, Denise, e o seu filho, Leonardo, então com 11 meses, em Três Corações, quando se envolveu em um acidente com o seu Chevette.

Minha família sempre foi muito amiga da família do Batata. Sua morte comoveu o país e na partida de volta contra o mesmo Alianza, no Mineirão, o Cruzeiro, venceu por 7 a 1. Exatamente, o numero de sua camisa. Depois da dramática final de 1976, quando numa iniciativa fantástica de Joãozinho, o Cruzeiro arrebatou. Os jogadores rezaram em campo e dedicaram o título ao ex-companheiro.

Recebeu o apelido do treinador João Crispim que era nosso técnico e colocou no Roberto Monteiro o apelido de Batata devido as suas bochechas. Jogou contra o Alianza, no dia 12 de maio de 1976. Naquela ocasião, marcou um gol na vitória do Cruzeiro, sobre o Alianza por 4 a 0. No dia seguinte, lamentavelmente faleceu.

Na semana seguinte, no dia 20 de maio, o Cruzeiro voltou a enfrentar novamente o Alianza e uma camisa com o número 7, normalmente utilizada por Batata, foi colocada na pista ao lado do gramado. Momentos antes de a bola rolar, o pistonista da banda da Polícia Militar tocou ‘Silêncio’.

Em campo, os jogadores prestaram uma linda homenagem ao ex-companheiro vencendo o time peruano justamente por 7 a 1.
Meses depois, o Cruzeiro conquistou o título da Libertadores da América de 1976. Ao final da decisão contra o River Plate, os jogadores se ajoelharam no gramado e rezaram por Roberto. Fica um forte abraço a toda família do Batata.

Nome: Roberto Monteiro
Gols pelo Cruzeiro: 125 gols em 286 jogos
Nascimento: 24/07/1949, em Belo Horizonte
Morte: 13/05/1976
Posição: Atacante (ponta direita)
Quando jogou pelo Cruzeiro: Entre 1971 e 1976
Títulos pelo clube: Campeonato Mineiro de 1972/1973/1974 e 1975, além da Copa Libertadores de 1976
Outros clubes pelos quais atuou: Time amador do Banco Real e Atlético de Três Corações


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