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24/03/2009 - Almir, Garrincha, Sócrates... Por Alberto Helena Junior

Fico pensando nas grandes contratações já realizadas pelo Corinthinas, ao longo da história, e a primeira que me vem à memória foi a de Hércules, ponta-esquerda de hercúleo peito e petardo de canhota, revelado pelo Juventus, que jogou no São Paulo, na Seleção Paulista, ganhou fama no Fluminense, disputou a Copa do Mundo de 38, mas cuja estréia foi ofuscada justamente pela estréia de Leônidas no São Paulo, em 42, quando o Pacaembu recebeu a maior torcida de todos os tempos.

Em seguida, Domingos da Guia, o Divino, pai de Ademir da Guia, considerado até hoje, pelos historiadores como o mais perfeito zagueiro de todos os tempos, em qualquer quadrante.

Mas, esses estão nos compêndios, não na minha memória, que não vai tão longe.

De que me lembre, a primeira bombástica contratação do Corinthians, um clube que se orgulhava de produzir jogadores em suas camadas inferiores, sob o comando do técnico Rato, foi Almir, o Pernambuquinho.

Conhecido como o Pelé Branco, Almir era um meia-direita de muita habilidade e fino artilheiro, que alcançou notoriedade no mundo formando naquela linha de ataque histórica do Vasco: Sabará, Almir, Vavá, Walter Marciano (depois Rúbens) e Pinga. Almir era craque, mas briguento que só ele.

Sua contratação, por tudo que implicava, foi um estupor. Por 6,5 milhões de cruzeiros (não dá para calcular o que seria em reais atuais), uma fortuna na época – dizem que saídos dos milionários bolsos de Vicente Matheus – Almir chegou ao Parque São Jorge sob alarido geral em 60 e partiu em 61, como uma imensa frustração, para ser campeão do mundo pelo Santos no ano seguinte.

Na seqüência, Garrincha, em 66. Dispensável falar da fama de Garrincha. O fato é que o bicho chegou já com os joelhos bichados, numa época em que esse tipo de tratamento era complicado, e prestes a encerrar a carreira, o que aconteceu logo em seguida, numa frustrada experiência no Flameng.

Ah, sim e há o caso de Sócrates, hoje considerado o maior ídolo do Corinthians, segundo recentes pesquisas. Pois aqui, me permite o amigo, prestara um testemunho pessoal.

Sócrates jogava pelo Botafogo de Ribeirão Preto, enquanto cursava a Faculdade de Medicina. E não se sabia se, findo o curso, Sócrates optaria pela medicina ou pelo futebol.

Nessa época, o futebol paulista estava perdendo suas grandes revelações para os cariocas, como Guina, do Comercial de RP, e Paulinho , centroavante do XV, que foram para o Vasco.

Num papo na Federação Paulista, entre Henry Aidar, presidente do São Paulo, Metidieri, presidente da FP, meti a colher, dizendo que não se poderia perder tantas revelações para o futebol de outros Estados. E que Sócrates seria o grande jogador brasileiro em pouco tempo, como acabou sendo.

Aidar, então, ligou para o presidente do Boatfogo RP, Benedini, e fechou a prioridade para a contração de Sócrates pelo São Paulo.

Dias depois, recebo o convite de formatura de Sócrates, com o seguinte recado: "Muito pelo que você tem falado de mim, resolvo pendurar o diploma e calçar as chuteiras".

Nesse momento, o Cornthians queria contratar o falecido e querido volante Chicão, do São Paulo. Publiquei, então, na minha coluna Bola de Papel, no JT, que o São Paulo estava negociando a venda do passe de Chicão por 5 milhões de cruzeiros. E, com esse dinheiro compraria os passe de Sócrates e do zagueiro Nei, ambos do Botafogo.

O técnico do Corinthians, José Teixeira, leu e levou a Matheus uma nova proposta: em vez de contratar Chicão por que não trazer para o Parque Sócrates?

- Sóscrate? É bom esse Sóscrate?

Teixeira confirmou no ato. E, no almoço no Jóquei Clube, em que o novo presidente do São Paulo, Antônio Nunes Leme Galvão, e Vicente Matheus discutiriam a transação de Chicão, Matheus disfarçou e soltou na mesa a questão essencial: o São Paulo abriria mão da prioridade sobre Sócrates. Sim, sem dúvida, para o o presidente tricolor, cujo objetivo era contratar Pita, do Santos.

Resultado: com o dinheiro que Matheus gastaria com Chicão comprou Sócrates, o maior investimento do clube até hoje, pois, numa época em que o dólar estava a12 cruzeiros, pagou 5 milhões de cruzeiros, ganhou três títulos, e o craque foi negociado por 5 milhões de dólares (doze vezes mais do que custou) para a Fiorentina.


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