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05/02/2009 - Mestre Orlando Duarte: Acompanhe a entrevista

Orlando Duarte, nascido em Rancharia (SP), em 18 de fevereiro de 1932, é um dos jornalistas brasileiros mais conceituados no meio esportivo. Com mais de 50 anos de profissão, cobriu todas as copas do mundo desde 1950 (foram 14) e 10 jogos olímpicos.
Duarte trabalhou nas TVs Globo, SBT , Jovem Pan UHF, Bandeirantes, Gazeta e Cultura. Na rádio Jovem Pan ficou por 22 anos, e na Trianon, por 6. Além disso, teve passagens pelos jornais Gazeta Esportiva, A Gazeta, Mundo Esportivo, O Tempo, Última Hora e o Diário da Noite e publicou mais de 25 livros.
Em seu último livro, "Na Mesma Sintonia", Duarte fala sobre sua trajetória no rádio.
Atualmente, Orlando Duarte mantém oBlog da Cultura Esportiva na internet, administrado por seu filho, onde responde questões ligadas ao esporte, e escreve a coluna "O Informal", publicada em dezenas de jornais brasileiros.
Nesta entrevista, Duarte relembra sua trajetória como jornalista esportivo e comenta as mudanças ocorridas na profissão.
G.E. - O que levou o senhor a atuar no meio jornalístico?
O.D. - Cidade pequena, poucas coisas para um garoto fazer. Naquela época nem havia chegado a televisão ao Brasil. Estudar, praticar esporte e ter criatividade para superar os momentos de nada por fazer. Precisávamos encher o tempo. Trabalhar no serviço de auto-falante e escrever para o Jornal da Terra fazia parte de minha atividade. Escrevia sobre esporte, sempre gostei. Falava sobre esporte, e foi aí que tudo começou.
G.E. - Como foi e como é sua relação diante as tendências de modernização dos meios jornalísticos, primeiro do rádio para a TV, e mais recentemente, da TV para internet?
O.D. - Tudo evolui. No rádio o que importa é a capacidade de cada um de transmitir a notícia, o comentário, e o entretenimento. Com o transistor, o que era apenas um rádio em cada casa, passou a ser milhões, nos quartos, cozinhas, e por todo o lado de um lar.
Na televisão, a cada instante, há uma inovação tecnológica. Vivemos agora a era digital e de alta-definição, e não há limites para a evolução da TV, que também é nova em termos de Brasil, tendo começado precariamente na década de 1950..
O jornal escrito sofreu e sofre concorrência, mas também evoluiu em qualidade e rapidez. Chegamos à internet, que como dizem todos é a comunicação do futuro, mas ela não invalida o rádio, o jornal e a TV. São veículos que podem viver independentemente e sempre, graças à mais importante das peças, que é justamente o homem.
G.E. - E como você particularmente se adaptou a essas mudanças?
O.D. - Tirante a internet, com a qual não tenho nenhuma intimidade, nem sei ligar um micro, os demais veículos fazem parte de minha corrente sanguínea. Admiro quem tem o domínio sobre as maravilhas do computador. Tudo, é claro, ficou mais rápido depois dele; o mundo é um só!
G.E. - O senhor poderia falar sobre como mudaram as coberturas de Copa do Mundo de 1950 para cá?
O.D. - Basicamente, fomos de zero a 100%, e isto graças ao satélite, ao celular, ao computador, em suma, ao progresso tecnológico dos meios de comunicação. Também, ficou acelerada a concorrência, entre rádio, TV e jornal. E quem ganha é o público, que pode escolher qual o melhor veículo para acompanhar o mundial, os jogos olímpicos e qualquer outra notícia do mundo!
G.E. - Em sua opinião quais foram a melhor e a pior copa do mundo? Por quê?
O.D. - Pior, foi perder em 1950, em casa, mas tivemos outras que pecaram pela falta de organização como a 1966 na Inglaterra. A melhor foi a de 1958, quando tivemos pelo menos quatro gênios no futebol em ação: Nilton Santos, Didi, Pelé e Garrincha. Na mesma equipe, tínhamos ainda Djalma Santos, Gilmar, Zito, Vavá, Bellini, Dino Sani, e Dida. A copa foi na Suécia. Pela primeira vez o Brasil, ganhou uma Copa, fora do continente no campo do adversário, a finalista Suécia. INESQUECÍVEL!
G.E. - O que você acha das transformações ocorridas no futebol em relação às negociações de jogadores com clubes estrangeiros e a influência de seus empresários?
O.D. - No mundo capitalista, há sempre o domínio do potencial econômico em qualquer coisa. Não é diferente no futebol. Haja vista que os melhores craques da Holanda, Itália, Inglaterra, Alemanha, Espanha, França, estão sempre no meio de negócios realizados pelos clubes, com empresários ou não. O futebol brasileiro é fraco economicamente, e por esta razão mesma, por ser um grande produtor de jogadores, passa a ser alvo da cobiça de todos e principalmente de empresários, alguns muito bons e outros fracos. Isto só será evitado com a melhoria da economia brasileira e naturalmente da situação de nossos clubes.
G.E. - E sobre o estilo de jogo?
O.D. - O jogador sempre leva consigo o seu estilo que é a sua técnica e sua marca. Dentro das táticas, consegue provocar alterações nos resultados dos jogos. Além disso, ele provoca, por imitação, o surgimento de jogadores de centros menos adiantados, com boa técnica. É o que acontece, quando você exporta jogadores para onde não há muita tradição e técnicos estrangeiros; o rendimento de nossos atletas melhora muito.



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